segunda-feira, 8 de agosto de 2016

A fase da alma emotiva ou sensitiva - 21 a 28 anos


Na fase da vida, dos 21 aos 42 anos, é a grande fase do amadurecimento psicológico e anímico do ser humano. É a fase de luta, segundo a colocação dos chineses, ou a fase expansiva. O que significa esta luta? É a conquista de uma posição na vida, o encontro do local de trabalho adequado a descoberta do(a) parceiro(a) e a formação de uma família. É também o trabalho interno sobre tudo aquilo que recebemos mais ou menos passivamente nas fases anteriores. É como se recebêssemos uma mochila para carregar nas costas, que foi preenchida nos anos anteriores. Dentro dela estão presentes bons e não tão bons. Agora então começamos a andar, vida afora, usando os presentes da mochila, selecionando os, jogando fora alguns, lapidando outros. Agora o grande mestre dessa fase vai ser a vida, através da qual vamos amadurecendo psicologicamente. A pergunta básica desta fase: “Qual minha vivência deste mundo?”.

A fase dos 21 aos 28 anos é denominada de “emotiva” porque nossa vida anímica nessa época é cheia de altos e baixos; existe uma grande labilidade emocional, ora se está no céu, quando se recebe um elogio de um chefe ou da esposa ou esposo, ora “na fossa”, se algo desagradou.

A maioria das pessoas inicia a sua carreira nessa fase. Também de certa forma, a mãe de família “Inicia uma carreira”. Existe aí uma grande criatividade; muitos experimentam e mudam seu local de trabalho e até mesmo a profissão, até encontrarem o local adequado. A insegurança interna, por falta de experiência, é compensada por seguranças externas: por exemplo, status, automóvel, telefones na mesa, um bom salário, aparências.

É a época em que ainda temos o direito de gozar de todas as regalias da civilização moderna: viagens, experiências as mais variadas, e assim como muitas vezes há trocas de empregos frequentes nesta fase, há necessidade de troca de parceira ou parceiro, até que através dos outros gradativamente encontramos a nós mesmos, e estamos maduros para a escolha da parceira ou parceiro verdadeiro, capaz de trilhar conosco a vida. É uma fase paralela à de O a 7 anos, de experimentação, mas agora a nível de vida, a nível anímico (e não corporal como de O a 7 anos). Estamos “abertos” novamente e lá fora, na periferia do nosso ser, as nossas capacidades ainda são ilimitadas, tudo é possível. É uma fase de grande criatividade, de grande satisfação de viver e de testar tudo o que foi aprendido especialmente na fase anterior.

O desafio para o desenvolvimento nessa fase é desenvolver o equilíbrio entre os altos e baixos, adquirir uma gradativa segurança interna, principalmente graças à avaliação sistemática do nosso trabalho, independente do meio. Sermos abertos e não preconceituosos. Desenvolvermos empatia perante os fenômenos da vida.

Ao nível do relacionamento, cada qual tem que desenvolver o seu estilo de vida, adaptação mutua, respeito e amor à individualidade do outro, não querer moldá-lo à sua própria maneira. Isto exige uma constante adaptação e trabalho em si mesmo.

O perigo dessa fase é de se adaptar demais, tornando-se uma “vaca de presépio”, ou tomar atitudes apreensivas, críticas constantes. O perigo principal é perder-se totalmente no externo, nos prazeres da civilização, ou iludir-se com uma experimentação mais acentuada, como a droga. Uma interiorização necessária na fase seguinte será extremamente dificultada por esse processo.

Fonte: Dra. Gudrun Burkhard