sábado, 17 de maio de 2014

Vidas Passadas


É possível saber o que fomos em vidas passadas?
Ensina a Doutrina Espírita que todas as vivências da alma, sejam elas positivas ou negativas, desta vida ou de outras vidas, não se perdem jamais. Ficam registradas na mente,em ordem cronológica, mas a alma mantém no consciente somente as lembranças que lhe são úteis; as demais permanecem no inconsciente, que é uma espécie de arquivo-morto, ao qual ela tem acesso quando necessário.
Ao reencarnar, a alma se submete a um processo de esquecimento, e isso ocorre por três razões principais: a primeira, para que os erros do passado ou posições de destaque, geradores de remorsos ou de vaidades, não perturbem o propósito de renovação íntima; a segunda, para que o pleno conhecimento dos desafetos e dos fatos que geraram a discórdia não dificultem o reajustamento; a terceira, para que não haja repetição de certas experiências que lhe são mais agradáveis, o que retardaria o progresso, uma vez que elas já estão incorporadas.
Não obstante a perda da lembrança, trazemos conosco as tendências instintivas e ainda temos a voz da consciência a nos orientar na presente jornada. Uma análise sincera dos nossos pensamentos mais comuns, de nossos desejos principais e de nossas reações, bem como dos acontecimentos hoje vividos, permite uma ideia geral do que fomos como ser humano, do que ainda somos e do que precisamos conquistar.
Com esse conhecimento e o firme propósito de alcançar renovação interior, de conformidade com o amor e a justiça de Deus, é possível à criatura avançar no seu progresso, desenvolvendo virtudes e eliminando imperfeições, sentimentos inferiores e vícios.
Não raro, porém, Deus permite a certas pessoas a lembrança de outras vidas, e quando isso ocorre é sempre com um fim útil, certamente para fazê-las avançar. Essa lembrança pode ser natural, sem a barreira que normalmente o corpo oferece, o que frequentemente acontece quando a reencarnação é muito próxima do desencarne; pode ainda ser despertada em sonhos, ou mesmo através da mediunidade.
Ultimamente, no Brasil e nos Estados Unidos, médicos, psicólogos e pesquisadores têm-se valido da regressão de memória (TVP) para tratar das pessoas, fazendo com que retornem a vidas passadas que continuam a refletir na vida presente, com resultados extraordinários. Esse trabalho, de caráter científico, tem demonstrado, de maneira irrefutável, a reencarnação.
Em qualquer das formas de recordação do passado, é possível se saber que personalidade fomos, onde e quando vivemos e o que fizemos. A mente, seja no transe hipnótico ou numa regressão espontânea, libera os arquivos mentais, tal como se colocássemos no videocassete um filme em que somos a personagem principal, com a diferença de que igualmente vivenciamos as emoções do fato. Não há uma volta efetiva no tempo, de modo a permitir alteração dos acontecimentos, mas simples lembrança.
Quando isso ocorre, é porque a pessoa está preparada emocionalmente para suportar uma vivência do passado, cujo conhecimento lhe permitirá melhor compreender o presente, liberando-se de traumas e sentimentos que ainda carrega consigo.
Mas é importante ressaltar que o passado não pode ser buscado por mera curiosidade e nem por leigos, porque o despreparo pode trazer consequências desastrosas, com abalos emocionais de difícil reajuste.
Autor: Donizete Pinheiro
Livro: Respostas Espíritas – Edições Sonia Maria – 1ª Edição – Capítulo: 58 - São Paulo – 1997