segunda-feira, 25 de julho de 2016

Perdoar



a quem fez mal é visto com bons olhos, desde que a situação não se repita continuamente. Quando uma traição se repete, o que mais acontece é a recomendação de agir de forma negativa em relação aos traídos, "desforrando a honra".

A vingança é preconizada como retribuição aos atos de traição, falsidade ou maldade. Ao compensar o mal sofrido ela atua de forma a igualar as duas partes envolvidas, uma não ficando em desvantagem em relação a outra.

A noção de doença mandada por outras pessoas obedece a mesma lógica que orienta a vingança. Ambas, vingança e doença enviada, tem como pressuposto trazer de volta o equilíbrio das condições entre aqueles que  se relacionam, reparando uma condição de desigualdade, originada pelo rompimento dos preceitos de reciprocidade.
O envio de doença a outrem é, segundo os meus informantes, motivado pela inveja desencadeada em decorrência da percepção de uma qualidade que dá destaque a uma pessoa na comparação com outras com as quais convive. A inveja aqui não é pensada como desejo de possuir aquilo que o outro tem, mas como uma vontade de destruir o que distingue da maioria dos seus convizinhos. Da mesma forma a igualdade não é pensada no sentido de que uma pessoa possa se igualar a outra adquirindo aquilo que as diferencia, mas nos termos de trazer o invejado a mesma situação em que se encontra o invejoso.

A inveja pode ser ativada para trazer de volta a igualdade pessoas que, de alguma forma, se diferenciam das demais. O anseio de destruição do motor da desigualdade pode realizar-se pelo desarranjo de uma relação amorosa, desequilíbrio financeiro ou pelo envio de uma doença através de meios mágicos.
Fonte: Araujo, Melvina A. M -  Das Ervas medicinais à fitoterapia - Ed.Atelie Editorial
Imagem Celestina Gonçalves